segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

Mudanças de Paradigma para a Sociedade do Futuro

Meu nome é Francisco Kurpiel, eu sou programador. Minha irmãzinha certa vez quis saber o que eu faço no meu trabalho. É meio desconfortável explicar para crianças e para pessoas mais velhas que eu fico sentado o dia inteiro na frente do computador apertando botões e mexendo no mouse. As crianças nunca têm paciência de ouvir uma explicação completa de o que é um programador. E eu vejo com freqüência nos olhos dos mais velhos algo como ‘... mas você não trabalha?’. Parece que é meio difícil para alguém duas gerações mais velho que eu imaginar que ficar na frente do computador o dia inteiro sem despejar uma gota de suor também é trabalhar.

Talvez eu tenha finalmente encontrado uma forma um pouco melhor de explicar o que eu sou. O trabalho dos programadores é tornar o computador mais e mais útil. Útil para quê? Para qualquer coisa que alguém possa querer, dentro de certos limites, a ponto de nos motivar a ficarmos o dia inteiro na frente do computador. Nós, programadores, tomamos o conhecimento de alguma área emprestado, formalizamos ao extremo e ensinamos ao computador na linguagem dele. E assim o computador se torna mais e mais útil.

O que os computadores podem fazer hoje? Existe uma quantidade tão grande de problemas que podem ser resolvidos por um computador que qualquer coisa que eu pense em citar parece ser ridícula. Mas eu estou preocupado com as aplicações mais produtivas do computador.

A nossa sociedade (pelo menos em boa parte do mundo) é baseada no trabalho e na moeda. Isso impõe um delicado equilíbrio que nossa sociedade funcione hoje, com pessoas felizes, que trabalham, ganham o seu dinheiro e então fazem o que tem vontade, com assistir TV tomando cerveja.

Parte fundamental do atual mecanismo da sociedade são as empresas. O objetivo geral das empresas é ganhar dinheiro. Classicamente elas precisam pagar funcionários para que eles ajudem a empresa a ganhar dinheiro. O que aconteceria se os funcionários não fossem mais necessários?

O dia-a-dia de boa parte dos programadores é automatizar alguma coisa. Temos, por exemplo, plantas de geração de energia que podem ser operadas com apenas um funcionário, que fica olhando um console de um sistema automático para o caso de alguma coisa dar errado. Neste momento certamente existem empresas de informática e de automação trabalhando projetos para substituir alguma máquina que exigia x funcionários para ser operada e vai precisar de apenas y (sendo x maior que y). Até agora os empregos eliminados aqueles de tarefas repetitivas e pouco complexas, e aparentemente as vagas que estão sumindo aqui estão sendo absorvidas por trabalhos mais intelectuais, onde a automatização é mais complicada. O próprio processo de automatização requer muita gente trabalhando.

A automação um processo progressivo. Uma empresa que tem 10.000 funcionários economizaria bastante dinheiro se pudesse tornar desnecessários 2.000 deles. Para tal basta descobrir o que eles fazem, tentar formalizar ao extremo e ensinar a um computador. O mesmo trabalho passará a ser feito sem erros, muito mais rápido e não será necessário pagar salários. E progressivamente as vagas vão ser eliminadas pelas máquinas. Teremos 20% de desemprego no mundo, então 40, 70, 80. Eu não sei até onde isso vai, mas não acredito que o nosso atual modelo suporte 40% de desemprego mundial.

A conseqüência disso é que teremos trabalho para tão pouca gente que o capitalismo como o conhecemos não poderá sobreviver. Mas não devemos ver a automação (ou os programadores) como uma vilã(ões), e sim o capitalismo, que é simplesmente incompatível com os rumos da sociedade. Nós precisamos encontrar um novo paradigma para a sociedade, para que ela continue funcionando quando o trabalho não for mais necessário. O modelo da moeda e do trabalho em breve entrará em colapso.

Como poderia ser esta nova sociedade? Nós temos as duas premissas básicas:
• O trabalho não será obrigatório;
• Todas as pessoas, as que trabalham e as que não trabalham deverão ter acesso aos bens e serviços disponíveis;

Parece ser um problema grande. Mas observe que partindo do princípio de que o desemprego realmente atinja o ponto de tornar o atual modelo insustentável então recairemos exatamente nestas premissas.

“Mas como as pessoas que não trabalham vão comprar bens?”

Essa pergunta não fará sentido no modelo que irá surgir por que a palavra comprar não existirá ou terá um sentido diferente.

Nós também não podemos ignorar que, pelo menos por um bom tempo, ainda existirá necessidade de algum trabalho humano. O novo modelo, além de dar acesso aos bens e serviços a quem não trabalho, vai ter que resolver o problema de como recompensar aqueles que trabalham por produzir os bens consumidos por toda a humanidade.

Eu gostaria muito de ver uma sociedade como a sugerida em Star Treak: First Contact, onde aqueles que trabalham o fazem por desejar o crescimento pessoal. Isso resolvia o problema, por que aparentemente havia um número de vagas compatível com o número de voluntários. Mas pensar nisso hoje, vivendo em uma sociedade capitalista é quase impossível.

Como seria a vida em uma sociedade onde parte, (e em algum momento a maioria) das pessoas não executa nenhuma atividade produtiva? Elas teriam 100% do seu tempo livre, elas consumiriam, consumiriam, dormiriam, consumiriam, consumiriam, dormiriam... Quanto elas consumiriam? Tudo o que estivesse disponível, é claro. Mas como isso seria dividido? Igualmente? Essa é outra pergunta que precisa ser respondida. Talvez exista um igualitarismo entre os cidadãos não-produtivos. E os que produzem teriam direito a consumir mais? Será que vamos instigar a ganância como forma de manter a sociedade funcionando?

Eu imagino que a mudança não ocorrerá do capitalismo uma sociedade dos moldes de Star Trek diretamente, até por que o desemprego será um problema que vai aparecer lentamente. Mas quem sabe em que níveis a relação vagas/população vai chegar? Programadores estarão sempre tomando o conhecimento de humanos emprestado e ensinando um computador a substituir as pessoas. E se o leitor puder imaginar que existirão máquinas inteligentes então podemos pensar que chegaremos a números extremos, como vagas para apenas 1% da população ou talvez até menos. Se o leitor não acreditar na possibilidade do surgimento de formas de inteligência artificial então nós sempre teremos algumas vagas que nunca serão preenchidas (como as dos programadores). Mas caso tenhamos 90% da sociedade livre de trabalho o panorama será sério a ponto de ser impossível termos, por exemplo, uma sociedade capitalista com um governo benevolente que mantém a sociedade funcionando.

E qual será a motivação para as crianças estudarem? Aquelas que estudam para ter emprego perderão sua motivação. O sistema também precisará ser estável, não queremos que a evolução do capitalismo leve a um modelo fraco que possa ruir, formando, por exemplo, uma geração de crianças sem cultura, que possa perder aquilo que a humanidade acumulou desde que a primeira forma de escrita surgiu.

Talvez toda essa idéia possa parecer um pouco insólita. Mas não podemos ignorar que os computadores tem um desenvolvimento extremamente mais rápido do que o desenvolvimento biológico da nossa espécie. O primeiro computador surgiu a menos de 100 anos. Quem sabe o que os computadores serão capazes de fazer em mais 100 anos. Ou em 200, 400 anos. Em um momento teremos computadores com a nossa capacidade cognitiva. Em pouco tempo o computador vai evoluir um pouco mais e vai passar a capacidade humana. E vai ter o dobro, o quádruplo, dez vezes, cem vezes a capacidade humana de pensar. Nós vamos precisar sim de um novo modelo para a sociedade. E lidar com computadores mais espertos que nós será apenas mais um problema (à não ser que tenhamos uma evolução artificial da espécie humana para manter o nosso orgulho, o nosso status de coisa-mais-inteligente-que-conhecemos). De qualquer forma eu acredito que qualquer modelo que atenda às duas premissas da sociedade do futuro será um enorme avanço para a humanidade.

12 Comentários:

Às 10:49 PM , Anonymous Anônimo disse...

Dae camarada,

As conjecturas que você usou são um tanto cinematográficas. Sinceramente, não acredito na maioria das coisas que você postou. E sabe porque? Porque o capitalismo é que sustenta todo esse avanço tecnológico. Sendo assim, não entendo como ele possa cometer esse "suicídio", mesmo em 100, 200 ou 1000 anos.
Mesmo que as máquinas multipliquem seu conhecimento por infinito (absurdo, pois não podemos definir assim infinito, mas vou usar para impressionar) mesmo assim a evolução das máquinas dependem do investimento de empresas capitalistas. A única forma que vejo da sua sociedade “totalmente automatizada” (coloquei entre aspas, pois você mesmo não garante 100% de automatização) dar certo seria um motim das máquinas em determinado momento da história. Mas se considerarmos essa hipótese (talvez você tenha outra, eu com todo meu cansaço não consigo ver mais nenhuma) as máquinas não teriam motivo para trabalhar para os humanos e então me surgem 3 pontos de vista:
1 – Seria uma guerra matrixiana (inventei esse termo agora, mas acho que você entendeu o que quero dizer, tenho certeza que você já assistiu matrix)
2 – Seriamos escravos (ironico né, após evoluirmos elas para paramos de trabalhar elas nos obrigarem a trabalhar)
3 – Seriamos animais de estimação das máquinas(ai que humano bonitinho, ele sabe até pensar...).

Outras coisas mais medonhas me surgem, mas não quero publicar palavrões nem baixaria (eu percebi que você tomou esse cuidado também...)

Ainda me vem outra idéia em mente, que é se eu, com meu humilde cérebro conseguirei conjecturar algo de uma mente infinitamente (novamente usando esse termo no sentido errado, mas é para impressionar) superior. Bem cai em um problema que não consigo resolver, que é como prever o futuro ou pelo menos criar hipóteses com variáveis tão diferentes das que tenho atualmente. Eu não consigo prever o futuro nem com as que tenho atualmente!

Sinceramente acho que você esqueceu desses detalhes ou deixou nos leitores meio “viajando” na sua imaginação (ou pior, eu li, não entendi nada, escrevi um monte de besteiras, ou seja, sou muito burro). Minha intenção não é estragar seu post, mas não achei nenhuma base ou argumentação convincente para acreditar que a sociedade capitalista vá se extinguir (tendo em vista que ela patrocina porque dá dinheiro, uma vez que não de mais dinheiro não existe motivo para patrocinar, logo a tecnologia vai estagnar, a não ser que viciados em tecnologia fiquem bilionários – ah, não é o caso do Bill Gates, pois ele não é tão viciado assim em tecnologia, ele investe para obter retorno, mas esse é outro assunto, você tem um ponto de vista e eu tenho outro – mesmo a Microsoft investindo trilhões em desenvolvimento, você há de concordar que investir é gastar hoje para obter mais amanhã e que se não tem como ganhar amanhã, não tem motivo para investir).

Acho que esse tópico pode ficar bem mais “caliente” como dizem nossos hermanos, principalmente se você embasar melhor suas conjecturas (ou se já tiver embasado colocar elas mais explicitamente para nós leigos leitores).

Acho que deixei varias incógnitas para você, vamos ver o você tem a dizer.

Ah, acho que você já sabe quem é, mas se não sabe não vai ser agora que eu vou colocar, vai ficar como outra incógnita.

Outro detalhe, eu não li seus posts anteriores (se li não lembro de nada) e se esse texto é seqüência de outros (acredito que não, pois você teria dito) peço desculpas, pois possivelmente as respostas para minhas duvidas estarão nos outros posts. Como não teria tempo de ler todos e depois comentar esse, resolvi somente comentar esse, com base no que você escreveu.

Até mais camarada, “te vejo no futuro” (back to the future).

 
Às 11:01 PM , Anonymous Anônimo disse...

Ah, aproveitando que eu comentei, cadê o resto do pessoal que leu isso aqui? Todo mundo concorda com tudo o que o Francisco falou ou todo mundo discute isso com ele pessoalmente? Vamos enriquecer esse post aqui e os outros que apareceram (aparecerão) tambem! Comentem o post, coloquem seu ponto de vista!!! E vc Francisco, coloque as discussões que você tiver pessoalmente aqui também, para que algo de bom (ou ruim) fique para a humanidade (ou para as máquinas).

 
Às 3:39 AM , Blogger Rafaeldff disse...

Primeiro: Anonymous, vc não prefere assinar os seus posts?

Segundo: O capitalismo não vai "decidir" cometer suicídio. Assim como ninguém "decidiu" que um dia o capitalismo nasceria. São processos históricos sem nehum rumo definido a priori. E já estamos vendo claramente esta tendência da extinção do trabalho com o fenômeno do desemprego estrutural. A emergênca da produção colaborativa (http://www.benkler.org/) pode ser a contraparte social desta tendência econômica, embora eu não veja relações diretas entre as duas linhas.

 
Às 2:46 PM , Blogger Francisco Kurpiel disse...

Bom, a consideração sobre o auto-suicídio da sociedade também é pertinente. Nós estamos realmente observando um aumento gradativo na taxa de desemprego, o que vai diminuir o consumo e obrigar as empresas a serem mais econômicas e mais produtivas. Para isso elas vão tentar automatizar mais, diminuindo custos com mão de obra, gerando um ciclo vicioso. Mas quem está patrocinando as empresas são as pessoas que compram os bens. Em um momento o poder das empresas de automatizar seus processos vai ser comprometido. Mas quando isso acontecer já teremos um nível de desemprego alarmante, teremos governos endividados, taxação exorbitante das empresas, miséria... Nós já temos tudo isso hoje, mas este estado pode se tornar cada vez mais alarmante. Quando essa for a nossa realidade (talvez realidade dos nossos filhos) alguém vai ter que fazer alguma coisa (essa foi uma frase não específica, eu sei). Talvez o governo de alguns países proíba a automação. Para isso teriam que fechar seus portos para a concorrência de produtos que não obedecem a mesma lei. Alguns países poderiam usar modificações do socialismo para que o estado coordene a produção de bens. O foco do artigo é justamente levantar essas possíveis formas de solução do problema do desemprego na sociedade do futuro. Impedir a evolução dos meios de produção de forma que sempre seja necessário que humanos trabalhem é uma saída, mas está longe do ideal. Nós precisamos de um novo modelo, um novo paradigma que não impeça a evolução e atenda as duas premissas mencionadas no artigo. Assim os meios de produção podem evoluir livremente e a sociedade continua estável.

A discussão aberta é justamente o propósito destes textos. Se houver alguma informação pertinente ao artigo fora do site vou tentar repassar para que todos tenham acesso. Eu gostaria que os comentários fossem assinados, até para facilitar a intertextualidade. De qualquer forma eu agradeço a colaboração com o tema.

Rafael, eu ainda não segui o link enviado no comentário, vou tentar fazê-lo asap.

 
Às 12:20 AM , Anonymous Anônimo disse...

Ah, parem... Eu não tive tempo nem de ler direito o que está no tópico... Eu imaginei que vocês fossem me reconhecer. Eu não tive (e não vou ter tão cedo) tempo para criar uma conta. Prometo para vocês que da próxima vez coloco meu nome completo (acho que vou fazer um anagrama com meu nome e colocar, hehehe...). Posso garantir que vocês me conhecem pessoalmente, inclusive o Rafael Ferreira (que agora está me xingando e se perguntando, “tempo para fazer esse suspense todo ele tem, mas tempo para criar uma conta ou colocar essa porcaria de nome não?”). Eu não tenho um bom motivo para ficar no anonimato, mas achei que essa seria uma boa forma de não ser discriminado (mesmo sabendo que a maioria dos que lêem o post não me discriminariam, inclusive vocês dois). Mas estou gostando do suspense...Além disso, não vejo motivos para colocar meu nome. Sinceramente, eu poderia ser qualquer alien ou coisa parecida, que não faria diferença (ou faria???) para o nível das discussões. Eu até poderia ser até outra forma de inteligência...

Também não tive e nem sei se vou ter tempo de ler o link que o Rafael colocou (seria legal colocar um resumo nesse post para facilitar...).

Voltando ao assunto principal, as coisas tendem a se adaptar as formas que mais garantem lucro para um pequeno grupo. Foi assim na maioria das mudanças de estrutura econômica. A automação tem um limite, que segundo vocês será alcançado em breve. Só que daí para frente acredito eu, é estagnação. É muito surreal que o capitalismo vai sucumbir dessa forma. Ele já existe a milhares de anos (lembrem-se que mesmo na era feudal o capitalismo existia, mas ficou nos burgos, área externa ao feudo) e imaginar que o sistema de automação que hoje privilegia o acúmulo de capital vai ser a arma que vai matar o capitalismo é um tanto fictício. Como não li o link não sei a argumentação que está nele e não sei se lá existem respostas para minhas perguntas. Bem, sobre o que o Rafael postou sobre a automação retirando empregos, temos isso há séculos no capitalismo. Primeira revolução industrial, segunda revolução industrial, crise de 30... Mas ele ainda está ai. Pelo que entendi, existe alguma coisa chamada “produção colaborativa” que imagino eu deve ser algo como “trabalha ai que eu te pago com o que produzir” ou coisa parecida. Isso existe desde a época de JC... Se você for para o norte ou nordeste do Brasil (e o Denner, acredito eu pode confirmar, falando nisso, cadê você Denner?) os trabalhadores fazem as coisas por porcos, galinhas e coisas que não podem produzir ou que não são tão fáceis de produzir. Eu imagino que isso seja a produção colaborativa (por favor, me corrijam se eu estiver errado e lembrem-se que eu não tenho idéia do que é isso), estou “analisando as hipóteses e escolhendo aleatoriamente a mais favorável”. Eu não vejo assim tão claramente a extinção do trabalho. E pior, se a automação gera esse efeito (desemprego) é fácil para nosso presidente criar 10 milhões de empregos e cumprir suas promessas (um tanto fictícias) de campanha. Por enquanto as empresas estão ganhando (e muito) dinheiro com a automação. Mas a automação é só mais uma revolução industrial. Imagino que na primeira revolução industrial pensaram a mesma coisa, que o capitalismo tenderia a sucumbir após um tempo (ah, vou abrir um parênteses e lembrar que temos países que saíram do sistema capitalista devido a crises com ele, entraram em um “socialismo” e agora – pensando historicamente - voltam ao capitalismo).

Eu imagino duas coisas:

A primeira seria uma estagnação da automação no momento que as empresas parassem de ganhar dinheiro com isso. Essa é uma hipótese bem provável e creio até que aconteça, mesmo não sabendo muito sobre o futuro. As coisas acontecem, como o Rafael mencionou, mas se você analisar um pouco a história verá que não são tão por acaso assim. Não estou dizendo que isso é uma verdade absoluta, pois se fosse poderíamos regredir no tempo e teríamos um momento em que isso não poderia ser verdade (a não ser que o passado seja muito diferente do que eu imagino, e tenha tido interferência do futuro, mas isso é outro assunto).

A segunda é um nível alarmante de desemprego, guerras, um monte de gente morrendo, e após isso a sociedade se reconstruindo, mas isso não implica em evolução tecnológica (mesmo sabendo que guerra e evolução tecnológica estão bem relacionadas – vide segunda guerra mundial e a guerra fria).

Bem, agora vamos ao post do Francisco, mas já estou bem cansado e não sei se vou escrever muito...

Bom, vou colocar somente comentários, desculpe por isso Xyko, mas estou realmente exausto, só estou escrevendo isso porque gostei muito desse tópico, ainda mais depois que o Rafael Ferreira entrou. O Denner bem que poderia arrumar um tempo entre a engenharia e o trabalho para colocar alguma (qualquer) coisa... Entre outros... Enfim, vamos lá!

“Em um momento o poder das empresas de automatizar seus processos vai ser comprometido. Mas quando isso acontecer já teremos um nível de desemprego alarmante, teremos governos endividados, taxação exorbitante das empresas, miséria...”

Não entendi como você determinou isso. Como você determinou que os níveis de desemprego serão alarmantes quando as empresas não tiverem capital para investir em automação?

Eu sei que considerando os números a tendência pode ser essa, mas nenhuma estatística pode determinar (a não ser que saiba o spin de cada elétron do universo, mas mesmo assim eu ainda tenho minhas duvidas) exatamente isso que você mencionou. Pode ser uma verdade, nesse caso, o caos imperará e com certeza teremos guerras.

“O foco do artigo é justamente levantar essas possíveis formas de solução do problema do desemprego na sociedade do futuro”

Ah, então eu estou sendo produtivo, mesmo contrariando vocês dois. Meu maior receio é ser considerado um “babaca” por ficar colocando pontos de vistas diferentes aos de vocês e vocês imaginarem que eu estou de brincadeira ou coisa parecida (principalmente por não estar colocando meu nome).

“Eu gostaria que os comentários fossem assinados, até para facilitar a intertextualidade.”

Desculpe por não assinar esse comentário, mas prometo, como disse acima, colocar meu nome no próximo (claro que posso mudar de idéia, principalmente se perceber que vocês estão bravos comigo).

Ah, vou colocar um comentário que outros talvez não saibam, pois eu mesmo só descobri isso hoje. Na ultima frase o Francisco usa uma palavra, asap, que eu sinceramente não sabia até a manhã de hoje (recebi um e-mail com essa palavra e após alguns raciocínios e uma boa dose de imaginação coloquei no google “asap possible”. Aí descobri o significado: “As Soon As Possible” ou “assim que possível” no português. Ë um termo muito popular em chats, mas eu não tenho o hábito de falar muito em chats (não mais). Sei que não tem nada a ver com o assunto, mas digamos que não foi tão fácil assim associar asap a possible. Só associei porque o remetente colocou isso no final do e-mail e marcou ele como urgente...

Até mais camaradas, "I will be back" (exterminador do futuro)

 
Às 4:20 AM , Blogger Rafaeldff disse...

Uau. Este último comentário foi quase maior que o post do Xyko. Não vou me preocupar em rebater cada tópico porque este tipo de resposta tende a tornar a thread insuportável de ler.

1 - Sem problemas com esta brincadeira de ser anônimo... E eu adoro quando discordam de mim (sério).
2 - Produção colaborativa é uma espécie de modelo econômico baseado eminentemente em recompensas não monetárias. É uma tentativa de explicar usando os métodos da teoria econômica fenômenos como o Seti@Home, o desenvolvimento de software open source e a Wikipedia (falando nela, vejam isso: http://tinyurl.com/6jxvd). Eu não li o material no site (hehe), só assisti uma palestra do Benkler e achei bastante interessante.
3 - O caderno Sinapse da Folha de hoje (terça 26-01-2005) tratava exatamente deste tema: o futuro do trabalho. Não é uma reportagem excelente não, mas vale a lembrança.
4 - O argumento que "as coisas tendem a se adaptar as formas que mais garantem lucro para um pequeno grupo", ao meu ver, cai na tentação de se enxergar uma mecânica clara nos processos históricos. Hegel e Marx também fazem isso, mas eu simplesmente não consigo deixar de considerar este tipo de raciocínio uma simplificação exagerada. Reducionismo pode ser um bom princípio para as exatas, mas não se dá muito bem com análise histórica.
5 - Falando em Marx, eu lembrei da descrição que ele fez das crises do capitalismo (1. salários_menores -> mais_lucro; 2. goto 1;). Estas crises não aconteceram, mas se substiturimos a diminuição dos salários por aumento de produtividade e talvez cheguemos à uma receita mais eficiente para a crise.
6 - Existe desemprego estrutural? Creio que sim. O processo seguirá até um ponto em que o trabalho assalarado não mais faz parte do mecanismo da sociedade? Não tenho a menor idéia; nesse momento uma porção de economistas estão tentando descobrir esta resposta (e eu acho que não conseguirão, futurologia é difícil.
7 - That's all folks.

 
Às 10:42 PM , Anonymous Anônimo disse...

Olá senhores, gostei da brincadeira de anônimo,mas acabou. Meu nome é Fábio R. de Oliveira, e eu assumo os textos anônimos antes desse.

Vou ser breve hoje, na verdade estou com tanto sono por ter ficado até tarde escrevendo ontem que só vou colocar esse comentário para acabar com a brincadeira do anônimo.

Eu até gostaria de dialogar um pouco mais, principalmente sobre Hegel, Marx, exatas e história, mas hoje não vai dar. Só me ficou um porque (ah, eu não sei empregar o porque e não sei quando e nem onde tem acento, portanto professores de português e pessoas que gostam de gramática me desculpem): Qual o principio que se dá bem com análise histórica?

Bem, vou indo, tenho que trabalhar amanhã cedo e recuperar o sono perdido na noite passada...

Hoje não vou colocar nenhuma frase chavão de filme, pois meu cérebro só consegue pensar em duas coisas: comer e dormir (duas coisas que não fiz direito hoje, mas esse é outro assunto, quem sabe algum dia eu abra um blog e coloque todos esses outros assuntos nele).

Desculpem por qualquer coisa (achei uma frase chavão para colocar no final!!!).

 
Às 2:06 AM , Blogger Rafaeldff disse...

Então temos um matemático na discussão. Olá sr. Oliveira.

Princípios para estudo da história? Sei lá. Empirismo, impessoalidade, imparcialidade, síntese, ...

Acho que o reducionismo não funciona muito bem. Acaba-se tentando encaixar à força os fatos históricos em um molde teório ideológico.

 
Às 10:10 PM , Anonymous Anônimo disse...

Olá senhores,

Estou somente dando sinal de vida. Estou lendo alguns textos de Hegel e Marx para melhorar o nível da discussão. Assim que terminar volto a postar alguma coisa (provavelmente depois da festa da carne).

Mas tenho procurado novos comentários aqui diariamente (e me decepciono de não encontrar nada).

Fábio R.

 
Às 2:19 AM , Blogger RosianeRuffone disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

 
Às 3:29 AM , Blogger RosianeRuffone disse...

Olá Francisco, sou a Rosiane e conheci você pessoalmente à alguns anos através de um amigo em comum (o Ederlei)... Sou estudante de filosofia (embora todas as minhas tendências sejam muito diferentes das questões propostas pelos seus textos) achei bastante pertinentes suas reflexões. Embora, talvez, não concorde com todas elas...
Analisando-as percebo que algumas coisas fogem do meu conhecimento (tudo sobre computadores e suas tecnologias, por exemplo), mas a questão fundamental (bom, pelo que li achei que é a mais importante) não é se haverá realmente uma substituição de homens por máquinas, em 40%, 50% ou 90%, e sim que o sistema em que vivemos no momento não tende a se sustentar por muito tempo.
Esta afirmação, da não “sustentabilidade” do capitalismo, é analisada e discutida há muito tempo, com vários temas diferentes. O tema aqui abordado, embora eu não o domine, é bastante interessante... Realmente o desemprego tende a aumentar com os avanços tecnológicos, isso já aconteceu em várias áreas profissionais e é comprovado. Até onde será possível este avanço, eu não sei, até onde o sistema capitalista sustentará um grande índice de desemprego, também não sei, mas não é esta a questão que me preocupa. Se o desemprego chega a atingir 50% da população (não sei daqui a quanto tempo isso ocorrerá, não tenho como prever o futuro, antes que o Senhor Fábio me lembre disso) estaremos vivendo num estado de calamidade... Ou o sistema muda, ou ele muda... No sistema em que vivemos hoje é necessário ter o mínimo de renda para que as coisas fluam, para que o círculo, trabalho-dinheiro-compra, se feche... Sem trabalho, sem dinheiro, sem compra, sem empregas lucrando e novamente sem trabalho. Este “sem empresas lucrando” me parece uma corda solta em minha reflexão, se as empresas percebem que a automação lhes é assassina algo elas farão. Ou criam-se profissões que não podem, ou não devem, ser substituídas por máquinas ou se dá um limite para esta substituição. Uma pergunta: você realmente acha que “todo” trabalho humano pode ser substituído por máquinas?
Acho que o desenvolvimento tecnológico chegará a um limite em breve (não acredito que este limite seja realmente uma inteligência artificial autônoma, posso até não crer nisso por ignorância, mas é o que acho) e talvez nós nos enquadremos a estas mudanças, talvez o próprio capitalismo procure uma maneira de se adaptar, talvez (e digo com ênfase o infelizmente) este sistema em que vivemos não seja mudado... Talvez continuemos a viver mal e a conviver com a miséria (o que acaba comigo não é o fato se não ter acesso a tudo, é saber que a milhões que não tem a cesso a nada, mas eu sei que isso é uma outra história...).
Sei que afirmei no começo do texto que acho que o capitalismo não se sustende, da maneira com a qual o temos hoje, por muito tempo, eu realmente acredito nisso, ele não se sustentará desta maneira! Mas o que temo ( e o que acho que ocorrerá) é que ele se adapte as mudanças que os avanços tecnológicos trazem e continue prevalecendo com toda a sua injustiça e disparidade... É esta a questão: será possível e nos permitirão mudar para algo melhor? Ou este novo sistema tende a ser igual ou pior do que o que já temos...
Um “mundo melhor” com maior igualdade e maior acesso a cultura é “utopizado” à séculos... Será realmente que o capitalismo mudar-se-á e acabará prevalecendo?
Estas são algumas questões que dominam minhas reflexões no momento. Tenho muito mais a comentar sobre o texto, mas realmente não acho que deva escrever sem parar durante horas, senão quer ler morre antes de chegar ao fim...
Espero ter contribuído com as reflexões de todos, um abraço e até mais...

 
Às 9:28 AM , Blogger Lolo Tsukino disse...

Olá Francisco...

posso até postar um comentário insignificante no meio dessa guerra via posts discutindo o talvez "auto-suicídio" do capitalismo...

O que acontece na verdade é que a sociedade já foi tão manipulada para criar ou inventar padrões e pseudo-inovações que somente a prendem aos objetivos monopolistas, que chegou em um ponto em que já é normal crianças não entenderem o que faz um programador ao mesmo tempo em que já é normal não entenderem o por quê de terem que ir pra escola todos os dias...

Essa evolução, capitalista ou não, já é manipulada. Por isso talvez suas teorias criam desocnforto por parte de alguns...

Um abraço

 

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